Entrevista Exclusiva a Guilherme Silva

Quem é Guilherme Silva?
Guilherme Silva (GS): 40 anos, casado, pai 2 filhos, vive na cidade do Porto, guarda-redes sénior há 21 anos.
Quando é que começou a tua carreira de hoquista e porquê?
GS: Começou quando tinha 5/6 anos num clube chamado Hóquei Clube Águias do Porto, naquela altura aprender a patinar era uma verdadeira diversão porque os passatempos não abundavam e não existiam playstations…
Qual a retrospectiva que fazes à tua carreira?
GS: Comecei no Hóquei Clube Águias do Porto, onde tive o 1º contacto com os patins dos 5 até aos 12 anos, depois fui para o F. C. Porto até aos19 anos, onde evolui e tive contacto com os melhores treinadores e jogadores daquele tempo e tive a felicidade de ganhar títulos nacionais em todas as categorias das camadas jovens. Quando cheguei a sénior fui para o Óquei de Barcelos onde joguei 12 magnificos anos e onde nas 5 primeiras épocas conseguimos ganhar todos os títulos que existiam no Hóquei Português e internacional. Saí em 2002 e fui para o A.C.R. Gulpilhares onde estive 2 anos e depois segui para a U. D. Oliveirense onde permaneci 1 ano antes de iniciar a aventura em Itália durante 3 anos no Follonica…3 anos são também o período que represento o H. C. de Braga até este momento…foi e continua a ser uma emoção constante jogar e treinar, por isso posso dizer com toda a certeza que jogar hóquei é muito importante para mim e é um grande prazer.

Quantos títulos, e quais os mais importantes?
GS: Títulos Conquistados:
Campeão Nacional
- 83/84-Infantis
- 85/86- Iniciados
- 86/87- Juvenis
- 87/88- Juniores
- 88/89- Juniores
- 89/90- Juniores
Seniores: (PORTUGAL)
- Campeão Nacional – 92/93 – 95/96
- Taça Portugal – 91/92 – 92/93
- Supertaça Portugal – 93/94
- Supertaça António Livramento – 99/00
- Taça dos Campeões Europeus – 90/91
- Taça CERS – 94/95
- Taça dos Vencedores das Taças – 92/93
- Supertaça Europeia – 91/92
- Taça Intercontinental – 91/92
ITÀLIA:
- Campeão Italiano – 05/06 – 06/07 – 07/08
- Taça de Itália – 05/06 – 06/07 – 07/08
- Supertaça Italiana – 05/06 – 06/07
- Liga Europeia – 05/06
- Taça Intercontinental – 06/07
Selecção Nacional:
122 Internacionalizações
- Campeão do Mundo – 1993 – 2003
- Campeão da Europa – 1994 – 1996 – 1998
- Torneio de Montreux – 1993 – 1997
- Jogos Mundiais – 1993
- Torneio Internacional de Paris – 1997
- Torneio do Centenário do F.C. Porto – 1993
Qual o momento que te marcou mais no hóquei?
GS: Ganhar a liga europeia em Torres Novas pelo Follonica, porque nunca pensei ser possível derrotar o Barcelona na pré eliminatória em Novembro e jogar contra F. C. Porto, Reus e Noia na final four em Maio com uma equipa com uma média de idades elevada (34 anos),construida naquele ano para aquele objectivo… conseguir superar com alguma sorte à mistura todos os adversários e disfrutar do titulo de clubes mais importante e ainda por cima em Portugal…é bom de ver porque escolhi este…
E o pior momento?
GS: O período de +/- 2 anos em que tive algumas lesões consecutivas nos dois joelhos que me levaram várias vezes à mesa de cirurgia e que me afastaram tanto da selecção nacional como do O.C. Barcelos…pensei já numa fase em que tardava a recuperar de uma das lesões em 2001 que iria abandonar a modalidade, esse foi sem dúvida o pior período da minha carreira.
Foi fácil conseguires um lugar na Selecção Nacional?
GS: Claro que não. Porque como em tudo na vida, nada é dado, tudo tem que ser conquistado…e no desporto isso significa muita dedicação, suor e porque não dize-lo…alguma sorte à mistura. E eu consegui abranger todos esses parâmetros, contando com a ajuda do clube da altura o O.C. Barcelos, treinadores e claro, os meus colegas…de clube e na própria selecção nacional.
Quais eram as tuas referências?
GS: Quando cheguei ao F.C. Porto (1982) admirei muito o estilo do Domingos Guimarães, guarda redes de topo do F. C. Porto e da selecção. Depois por volta de 1986 o Franklim foi para o Porto e eu tentei adaptar a minha maneira de defender aproveitando o estilo do Franklim, outro guarda redes de topo que foi e é para mim um dos melhores de sempre no hóquei português e mundial. Como jogava no F.C. Porto naquela altura e tendo nos seniores os dois melhores guarda redes daquela época é natural que eles se tornaram nas minhas referências, e já agora nos meus ídolos.
Qual foi a sensação de ser Campeão do Mundo pela primeira vez?
GS: Muito sinceramente não me apercebi da importância da conquista e do feito, porque Portugal já não ganhava fora de portas à 32 anos, e eu como já disse, gosto é de jogar e isso para mim bastava-me. Mas agora a esta distância de 1993 só posso dizer que ainda bem que não estava com a consciência de que iria disputar um mundial em Itália, com a Itália na final e nos pénalties…já viram mais pressão do que esta? E se calhar nem o Filipe Santos que com 18 anos marcou o único penalti e deu-nos a vitória…
Como comparas o hóquei de hoje para o de antigamente?
GS: Cada um deles bonito e técnico á sua maneira e com um ou outro pormenor adaptado ao seu tempo, mas incomparáveis como o nascer e o pôr-do-sol…
A qualidade de jogadores, manteve-se?
GS: Claro que se manteve, não é difícil citar nomes de jogadores (autênticos craques do nosso Hóquei) que deram e dão cartas em Portugal e no estrangeiro, mas cada um adaptado à sua época.
É importante que os jovens continuem a ter referências?
GS: Claro, porque só conseguem tirar o melhor deles mesmos, se tentarem fazer tanto ou mais do que aqueles que os precederam e que deram e dão cartas no Hóquei.
Foi boa a passagem por Itália? Repetias?
GS: Muito boa, só tive pena de não ter ido mais cedo, mas ainda fui a tempo de me divertir e viver emoções que já pensava, que aos 35 anos, não me estariam reservadas…mas até a mim me serviu para mostrar que com trabalho e a dose certa de sorte e um grande conjunto de jogadores se pode ser muito feliz…e eu fui!
Quais são as principais diferenças entre o hóquei em patins Português e o hóquei Italiano?
GS: Aquelas que já todos sabem, principalmente o facto da grande geração de jogadores estar a atingir a idade de deixar de jogar e não aparecerem novos valores, e as equipas recorrerem aos jogadores estrangeiros, tanto portugueses e espanhóis, e numa escala que eu considero exagerada a jogadores argentinos…que impede o aparecimento dos tais valores novos no principal campeonato.
Como vês o actual estado da modalidade? O que mudarias?
GS: Já teve dias melhores, mas acho que não se deve desistir de tentar melhorar, de andar para a frente. Felizmente a mim compete-me jogar e não tenho muita vocação para dirigente, é muito fácil opinar sem saber na realidade o que custa fazer determinada coisa, seja ela qual for…Também já alguém deve ter dito, “olha que fácil defender aquela bola ou marcar aquele golo” e nem sequer sabe andar de patins…por isso tenho a minha opinião, cada um faz o melhor que pode na sua função.
Como está a correr a época pelo Hóquei Clube de Braga?
GS: Dentro da normalidade, mas sempre com a esperança de sermos um bocadinho mais atrevidos e passarmos um ou outro degrau para chegarmos ao fim do campeonato na melhor classificação do H.C. Braga.
Por quanto tempo mais vamos ter Guilherme Silva entre postes?
GS: Enquanto houver alegria e motivação para treinar e o corpo permitir…
Quando acabares a tua carreira como atleta, vais querer continuar ligado ao hóquei?
GS: É uma questão de ver se me encaixo numa função que me permita passar alguma das coisas que aprendi ao longo destes anos, e de ver se existe alguém que as queira ouvir…

Que mensagem queres transmitir a todos os amantes do hóquei?
GS: a principal é que se preparem para a vida, terminem os vossos estudos… e se possível entreguem-se ao jogo e sejam muito felizes como eu sou!
Abraços do
Guilherme Silva
Actualizado em Segunda, 24 Outubro 2011 14:19