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Final do mês de Junho/início do mês de Julho é sinónimo de fase final dos Campeonatos Nacionais de Hóquei em Patins. Será lá que estarão as 4 melhores equipas portuguesas de cada escalão, e apenas uma poderá vencer. É expectável que os argumentos técnico-táticos das equipas sejam bastante similares, pelo que qualquer pormenor poderá ser decisivo.

Sendo o Hóquei em Patins uma modalidade com um ritmo e intensidade bastante elevada, e visto que a Final Four consiste na participação em 2 jogos em 24 horas, é fácil perceber que a gestão física dos atletas é de extrema importância para o sucesso desportivo da equipa. "Qual a melhor forma de recuperar os atletas para o jogo seguinte?": esta será certamente uma questão que estará na mente dos treinadores presentes na fase final, cuja resposta será abordada neste artigo.

Tal como tenho salientado em artigos anteriores, é fundamental basearmos toda a nossa intervenção na evidência científica disponível com o objetivo de tornar essa mesma intervenção mais eficaz e eficiente. A evidência científica aliada à experiência profissional torna-se uma arma poderosíssima e que não deve ser colocada de parte.

Após qualquer jogo, sobretudo um jogo decisivo de uma fase final, é fundamental gerir o desgaste físico, de forma a explorar todas as capacidades físicas de um atleta. Para além da componente física, é também fundamental gerir o desgaste psicológico e emocional, que muitas vezes é a chave para compensar a componente física. Em condições ideais, todo este trabalho de recuperação física e emocional dos atletas deverá ser coordenada em conjunto pelos treinadores, preparadores físicos, médicos, fisioterapeutas, nutricionistas e psicólogos. É fundamental este trabalho de equipa multidisciplinar, em que o atleta será o principal visado.

É importante salientar que as capacidades físicas que o atleta apresenta na fase final é o "espelho" do trabalho realizado ao longo de toda a época, quer em termos de prevenção de lesões quer em performance atlética. Não será esperado que atletas que não tenham realizado um plano de prevenção e melhoria de performance durante todo o ano, se apresentem nas melhores condições nos últimos 2 jogos da época.

Existem vários fatores que influenciam a gestão da fadiga dos atletas entre jogos. Destaco 2 deles, que são a base de toda esta gestão: a alimentação e o sono. Se estes dois pressupostos não forem cumpridos, todos os outros fatores que podem acelerar a recuperação não terão a devida eficácia.

Todo o trabalho de recuperação deverá ser iniciado antes do jogo.

No que diz respeito ao número de horas de sono, uma média de 8h será o ideal para suprimir as necessidades do atleta. Num estudo bastante interessante, foram recolhidas as horas de sono de alguns dos melhores atletas a nível internacional, e é curioso associar o número de horas de sono à performance de cada um destes atletas.

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A alimentação e a hidratação são também fundamentais para promover uma boa recuperação. O plano de alimentação e hidratação deverá ser estabelecido pelo nutricionista da equipa, e deverá ser seguido com rigor desde 24 horas da competição. Durante o jogo, o recurso a bebidas energéticas e outros suplementos é também um aspeto muito importante a ter em conta, com o objetivo de repor os eletrólitos perdidos durante a atividade física. Um exemplo é a reposição do sódio, cujos níveis de concentração diminuem drasticamente através do suor (variável entre indivíduos). A reposição do sódio evita as típicas cãibras, apesar de tradicionalmente se assumir a existência de cãibras devido ao défice de magnésio, algo que tem sido desmistificado . Para mais informações sobre plano de nutrição e hidratação poderá consultar os artigos da nutricionista Beatriz Mina em  http://www.plurisports.com/art-opiniao/10533-o-que-comer-no-dia-do-jogo.html e  http://www.plurisports.com/art-opiniao/10653-hidratacao-o-que-deve-saber.html .

Para além do número de horas de sono e da alimentação/hidratação, existem outros fatores que poderão acelerar o processo de recuperação do atleta.

Em alta competição, é comum a utilização da crioterapia para reduzir os danos corporais causados pelo exercício físico. O exercício físico é, num primeiro momento, uma agressão ao corpo do atleta, sendo que os benefícios deste mesmo exercício apenas surgem várias horas depois. No momento do exercício dá-se uma acumulação de resíduos, e o organismo responde com uma reação inflamatória como faria para qualquer outra agressão. A imersão do corpo (especialmente dos membros inferiores) em água a temperaturas baixas parece reduzir a sensação de soreness, fadiga muscular. É um dos métodos mais utilizados por atletas para reduzir os danos causados pelo exercício, apesar de não existir consenso quanto aos efeitos da sua utilização.

É fundamental a recuperação ativa dos atletas pós-exercício ao invés de finalizar a atividade abruptamente. Exercícios de baixa intensidade e reduzido impacto serão os mais indicados nesta fase, sendo que exercícios que desafiem a propriocepção do atleta poderão ser importantes.

Tal como foi abordado noutro artigo, os alongamentos também desempenham um papel importante na redução do soreness muscular pelo que poderá ser mais uma boa alternativa a adoptar neste processo de recuperação.

A utilização de um foam roller também é uma excelente alternativa, dada a sua capacidade de libertar os pontos gatilho miofasciais, ou seja, regiões de maior acumulação de tensão muscular.

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Não existe uma "receita" exata para um plano de recuperação pós-exercício, no entanto é possível recorrer a uma série de ferramentas, que quando são utilizadas em conjunto podem ter um papel fundamental na recuperação do atleta. Todo o plano deverá ser adaptado em função das necessidades da equipa e dos atletas que a constituem. Porque prevenir é o melhor remédio.

Luís Mesquita
(Licenciado em Fisioterapia, pós-graduado em Fisioterapia Manual Ortopédica pela Curtin University of Technology)