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5 Barbeiro Completo

Terronia

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Os desafios são maiores que a esperança? Mas nós não podemos senão ser otimistas... O pessimismo é um luxo para os ricos.” – Mia Couto

Num País dilacerado pela guerra, que acabaria por deixar marcas, que aos poucos vão sendo diluídas, mas alicerçada num povo enorme e ambicioso por mostrar o melhor ao mundo, as dificuldades serão sempre grandes, mas a vontade de um povo anónimo vai trocando a volta ao destino, e com mais ou menos dificuldades, mas acima de tudo com um optimismo sempre presente, para contornar obstáculos, as obras nascem e melhor que isso, crescem.
Isto tudo para vos dizer que Moçambique, que foi em determinado período da nossa história recente, um dos berços do hóquei em patins tendo produzido jogadores de excelência que alimentaram o imaginário dos amantes desta modalidade.
Os êxitos recentes do Hóquei Moçambicano nos mundiais, alimentaram novamente a vontade de fazer renascer a modalidade em vários pontos daquele país. Foram criados polos de desenvolvimento, sob a égide da FMP, nomeadamente no Maputo, Quelimane e Nampula.

As dificuldades são mais que muitas, mas a vontade de alguns carolas, com meios quase inexistentes, quase fazem milagres.
Falamos com um dos responsáveis por um destes polos, o de Quelimane, situado do Distrito da Zambézia, Centro de Moçambique, para nos dar a conhecer o trabalho que está a ser desenvolvido. Djelma Silva é o monitor e impulsionador deste núcleo e deixou-nos uma imagem daquilo que se faz, ou melhor, daquilo que se gostaria de fazer.

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O Renascer do Hóquei na Zambézia

Embora já se tenha conhecimento de se patinar desde sensivelmente 2002, a prática desta disciplina no Distrito da Zambézia, só se iniciou em 2009.
Os apoios são escassos por parte das entidades oficiais. “Em 2010 recebemos por parte da FMP 15 pares de patins e sticks, em 2013 voltamos a receber a mesma quantidade, mas as dificuldades porque passa a Federação Moçambicana não dá para mais. O resto do material que temos é comprado pelos atletas e de apoios de jogadores da Selecção nacional”.
A trabalhar no rinque do Sporting de Quelimane, que já acusa o desgaste dos tempos, ainda assim a vontade não esmorece. “Tenho 40 atletas na cidade de Quelimane. Mais de metade a conseguir já as condições mínimas para a prática da modalidade. E isso notou-se nos vários jogos que realizamos no Maputo”.
Apenas trabalhamos em Iniciados (Sub-15) e Juvenis (Sub-17), treinando normalmente 3 vezes por semana, mas a falta de espaços limita-nos, e às vezes só conseguimos realizar dois treinos”, adiantou Djalma Silva.

A vontade que existe para colocar o Hóquei em Patins no patamar que merece

A grande lacuna começa pela falta de competição. As distâncias, a falta de verbas para alavancar essas competições, são o grande entrave para que a modalidade tenha um maior impacto.

10968834 443614822457376 588226477 oAqui em Quelimane vamos organizando competições, torneios, mas isso porque sou um obstinado e procuro expandir a modalidade”, começou por afirmar Djalma Silva.

Precisamos de expandir para outras zonas do país, realizar mais jogos e competições, que haja intercambio entre as províncias. Quando se afirma que a FMP está a organizar algum Torneio, o mesmo é circunscrito ao Maputo, e isso não trás desenvolvimento às outras zonas do país.
Treinamos, procuramos melhorar, mas se não houver competição, este, é um trabalho sem retorno”.
O sentido crítico é latente nas palavras deste monitor. “Eu acredito que a FMP tem condições para expandir a modalidade a outras regiões, e não entendo porque ainda só existem em tres das províncias. Gostava que na Cidade da Beira se iniciasse um projecto igual e se criasse ali mais uma escola de Patinagem. Se calhar era mais fácil, assim, começar a desenvolver-se a competição”.

Os Apoios que são necessários e que não vem

Questionamos Djalma Silva para saber que apoios, para além daqueles que recebe da FPM, existem. Poucos, ou nenhuns, segundo ele.
O governo praticamente não ajuda em nada, a DPJDZ o ano 2013 ajudou em equipamento de treino e uma viagem a Nampula, em 2014 não ajudou em nada, e mesmo por pouco apoio que solicitasse, a resposta foi sempre a mesma- não existem meios para tal. O Município de Quelimane tem mostrado abertura, mas as faltas de verbas para o Distrito, a somar ao pouco interesse do governo central, que alega, que esta modalidade é muito cara, acabam por ser entraves ao nosso desenvolvimento”.

A falta de material é um entrave ao desenvolvimento da modalidade

Um dos dramas mais prementes é a falta de material para a prática do HP.
Não existe um espaço que permita aos atletas poderem adquirir o material básico para poder desenvolver a modalidade. Questionado para nos dizer onde poderiam adquiria o material, a resposta foi simples e concisa. “Não tenho resposta para essa pergunta. Não temos onde adquirir material. Vivemos da doação de antigos jogadores e de materiais usados. E sem material de qualidade, não se consegue fazer mais que um tanto. Não conseguimos passar para uma fase de maior qualidade no nosso hóquei”.

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Fica aqui uma pequena imagem, de um trabalho que se vai realizando, com pouco, ou nada, mas sempre com os olhos postos no desenvolvimento do hóquei em patins, num país que tenta a passos lentos, mas seguros, esperamos nós, levar o mais longe possível esta modalidade.

Um aparte. Deixa um nó no coração, quando os nossos filhos reclamam por um setique xpto, umas botas da marca Y, e um não sei quantos outros pequenos busílis, e olhamos com olhos de ver para uma realidade, diametralmente oposta, e onde qualquer das coisas que aqui é relegada, ali, um país imenso, mas com tantas carências, tudo é recebido como um bem precioso e ajuda a desenvolver o HP, que nós, às vezes, tanto complicamos por estas bandas.