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Numa entrevista concedida ao Jornal “O Jogo”, Renato Garrido, seleccionador nacional de Hóquei em Patins analisa a prestação lusa no europeu que se disputou em Paredes, assim como não se coíbe de criticar o pretenso conluio que existiu no jogo das meias finais entre Espanha e França, que ditaria o afastamento da selecção lusa da final neste europeu.

Pouco animado e com grande dificuldade em falar - "isto nunca me aconteceu", justificou - o selecionador nacional ainda não sabe o que levou Portugal a não estar tão bem em alguns jogos.

"Ainda vamos ter de analisar e perceber a razão de não termos estado tão bem. Em 2019, o Mundial foi no final da época, agora foi a meio e tivemos menos semanas de preparação, mas quando fomos a Montreux e ganhámos ainda tivemos menos tempo... Creio que fomos mais nós que tentámos e as coisas não foram saindo, porque as outras seleções tiveram mais ou menos o mesmo tempo de preparação", disse a O JOGO Renato Garrido, selecionador nacional de hóquei em patins, assumindo que "Portugal sabe jogar melhor".

Ainda sobre a atuação de equipa das Quinas, que ficou sem classificação definida, uma vez que o jogo para o terceiro lugar não se disputou devido à covid-19, o técnico natural do Porto não quis "caracterizar nenhum jogador", mas, quando questionado, sempre assegurou: "O André [Girão] deu-nos tudo, trabalhou de forma muito positiva; de resto, tanto ele como o Pedro Henriques".

Numa análise global, Renato tem na partida com a Espanha o ponto fulcral. "Temos consciência de que, enquanto dependemos de nós, fizemos um mau jogo com a França, também com Itália, e depois houve o jogo épico com a Espanha. Nesse encontro fizemos mais do que suficiente, quisemos muito ganhar por dois, mas fomos sempre condicionados pela arbitragem. E frente à seleção espanhola não é fácil. Apesar de não termos estado ao melhor nível, tudo fizemos para vencer por dois golos e estarmos na final", garantiu o selecionador, analisando depois o polémico Espanha-França, a partida que teve o resultado (3-1) que permitiu a essas mesmas seleções serem finalistas: "Quem participou nesse jogo é que tem de responder pelo que aconteceu e dizer-nos se aquilo contribui para a melhoria do hóquei patins. Eu não me revejo naquele triste espetáculo", lamentou.

Perante um Europeu estranho, com apenas seis nações - sendo Andorra, um principado, uma delas - Renato lembrou que "esta prova só se realizou, e os europeus de sub-17 e sub-19 também, porque a Federação de Patinagem de Portugal pegou nelas; caso contrário, não se teriam realizado".

Porém, apesar do momento de grande fragilidade que atravessa uma das modalidades mais populares em Portugal, o selecionador ainda tem um tom de esperança. "Eu dou o meu pequeno contributo, muita gente tem dado muito por esta modalidade, mas quem dirige o hóquei em patins a nível europeu e mundial que ponha a mão na consciência. Privarem os apaixonados da modalidade de verem os melhores clubes do mundo a jogar parece-me péssimo. Triste? Não é a palavra certa, porque acredito que há muitas pessoas com competência e vontade de elevar o hóquei", sublinhou.

Fonte- Jornal “O Jogo” * Foto- Miguel Pereira/Global Imagens

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