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O Jornal “O Jogo” ouviu a opinião de responsáveis de alguns clubes e chega-se rapidamente à conclusão de que a "dualidade de critérios" e a falta de "árbitros profissionais ou semiprofissionais" têm prejudicado o hóquei.
Na sequência do sucedido no passado sábado, no jogo em que o Benfica venceu o FC Porto (4-3), a mostragem de oito cartões azuis foi a gota de água que fez transbordar a indignação dos portistas, que, em comunicado, disseram não querer estar envolvidos em provas onde a "verdade desportiva não está salvaguardada", admitindo tomar "medidas drásticas". O JOGO auscultou dirigentes e treinadores de outros clubes.
Relativamente aos cartões azuis (4 para o Benfica, 8 para o FC Porto), a estupefação é generalizada. "Tendo em conta a qualidade das equipas, 12 cartões azuis é uma exorbitância", defende o presidente do Juventude de Viana, Rui Natário, que considera mais natural que tal suceda num "jogo entre uma equipa da primeira e outra da terceira divisão". Na opinião de Luís Duarte, o treinador do Paço de Arcos que foi selecionador de sub-20 (2010 a 2017), "não é normal, quando se olha para as estatísticas e se verifica um tão elevado e raro número de cartões". Gilberto Borges, responsável pela secção no campeão nacional Sporting, prefere começar por lembrar: "Há dias, em Valongo, em 30 segundos levámos três cartões azuis e isso é horrível." E abordou em seguida aquilo que se passou no Pavilhão da Luz: "Com o amontoar dos cartões, as equipas também começam a perder o respeito desportivo e, muitas vezes, as coisas tornam-se incontroláveis."
Outro foco de unanimidade tem a ver com a "dualidade de critérios", como alertou Miguel Viterbo, treinador do Valongo, lamentando que a "atuação dos árbitros varie de jogo para jogo, levando a que se crie um clima de suspeição". Outro ponto de concórdia está na "necessidade de haver árbitros profissionais ou semiprofissionais". Luís Duarte não tem dúvidas de que "algumas regras não beneficiam os árbitros" e põe mais um dedo na ferida: "Não sei se há algum árbitro profissional, e só isso condiciona o trabalho de todos."

Fonte/Foto- Jornal “O Jogo”